Só um pornô para vovós: Minha saga com 50 tons.

Dias atrás, entrei novamente em uma discussão sobre Cinquenta Tons de Cinza.
Tudo começou com alguém falando sobre o tema e que o título merecia ser chamado de “pornô para vovós”. Coisa que já ouvi de muita gente, e que sempre contesto assim que possível.
Encontrando a brecha para uma  contestação, expliquei meu ponto de vista sobre o assunto: Grey não é “doido” sem motivo.
Cinquenta Tons de Cinza, Mais Escuros e De Liberdade não abordam apenas o sadomasoquismo e o controle de um poderoso sobre uma menina sem malícia. A trilogia, sem dúvida, vai além disso e só entende a mensagem quem vai além da história, e busca uma reflexão diferenciada da análise mastigada da mídia.

A história aborda temas como prostituição, abandono infantil, adoção, e introdução ao sadomasoquismo. A predominância da história é o romance erótico, sem dúvida. Mas isso não deixa de lado as questões psicológicas no qual o Grey se envolve.
Para quem não sabe (ou não leu a história) Grey era filho de uma prostituta, ela era dependente química e vivia sofrendo agressões do cafetão na frente dele. Ele passava fome, apanhava (também do cafetão), e sofreu por boa parte de sua infância.
Desde que foi arrancado dos braços da mãe morta por overdose, ele ficou traumatizado e com isso passou a ter dificuldades para se comunicar. Ele voltou a falar só após a adoção da irmã mais nova que trouxe cor à casa da família.

Confesso que lendo a trilogia pela primeira vez achei que Christian era o típico cara maluco, que vivia chicoteando a Ana no ‘quarto vermelho da dor’. E cheguei até a pensar que mulheres que gostavam do livro eram loucas. But, WAIT! Não é bem assim..
Nós sentimos na pele o sacrifício de Grey apenas no primeiro livro que é escrito com sua visão. Muita coisa ficou clara para mim à partir do momento que comecei a ver as inseguranças dele e entender como a cabeça dele funcionava perto da Ana.
Ele NUNCA soube o que era o amor. Ele se assustou assim que sentiu aquilo. Esse é um dos motivos do conflito emocional dele durante todo o primeiro livro. Por isso o controle dele sobre a Ana.
A partir do momento que ele começa a entender o que sente, ele abre espaço para a coitada respirar e o livro vira realmente uma história de romance. Onde ele faz de tudo para defender sua garota dos perigos de sua vida luxuosa.

Óbvio, não tem como falar que o livro é uma obra-prima, e o melhor romance da vida. Nem de longe!  Só vejo Cinquenta Tons como uma história sofrendo com o tabu. Sadomasoquismo é uma palavra forte, que poucos entendem. Se você procura uma lição de como dar prazer à uma mulher e ao mesmo tempo dar umas bofetadas nela, acho bom começar por ele. Confesso que me animei com as idéias do Grey!
Ele induz você ao mundo da luxúria e dos pecados. E ao mesmo tempo se mostra um lobo solitário, à procura de algo que ele não sabe o que é. Até que da de cara com essa coisa em seu escritório, caindo aos seus pés. Por isso a mulherada curtiu tanto.

Esse é mais um desabafo sobre como me sinto quando escuto as pessoas falando mal de uma história que não é tão ruim assim. Se informe antes de opinar sobre o assunto. O buraco é bem mais embaixo e não se dê por convencido apenas por ler as páginas de sacanagem. Defendo sim a tese de que Cinquenta Tons de Cinza caiu na boca da mulherada pelo desejo reprimido dentro de quatro paredes. E talvez tenha caído no desgosto dos homens por simples insegurança e falta de informação.

E um recadinho para aqueles que assistiram apenas o filme: Ele não conta nem metade do que acontece no livro. Ele é a encenação das partes mais marcantes do livro. E foi feito único e exclusivamente para as (os) amantes da trilogia. Foi feito para realmente ilustrar os melhores momentos. E ao meu ver foi a melhor adaptação nesse sentido. A trilha sonora do filme é ABSOLUTAMENTE MARAVILHOSA e casou perfeitamente com o clima que a história proporciona.

Enquanto procuro por mais argumentos para um diálogo saudável quanto à este tema, você pode ler os livros, ver minha resenha de Grey clicando aqui, e vendo o filme né?
Se você já conhece a história, deixa um comentário! 🙂

xoxo;

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2 comentários sobre “Só um pornô para vovós: Minha saga com 50 tons.

  1. Érika Vieira disse:

    Eu li os 3 livros, e sinceramente como leitora e já praticante de BSDM achei fraco, não gosto de como foi retratado e romantizado
    Acredito que ele trouxe benefícios a inúmeras mulheres e amigas que não tem o assunto SEXO tão desmistificado, e ir isso é sempre bom ter um início! Tudo que trás benefícios as irmãs é importante é claro cada uma tem seu gosto e opinião. Acho realmente um livro fraco, não gostei realmente! (Opinião pessoal) Li porque vi um alvoroço de mulheres conservadoras extremamente interessadas, quando li para meu cotidiano achei algo comum Kk
    Mas fico sinceramente contente com o que esse livro significou na liberdade e concientizacao da mulherada que elas também tem direito a fetiches sexuais
    Não curto o livro pois aborda o tema de forma errada para mim!
    Nesse assunto prefiro
    A Vênus de 15 anos
    A Vênus da pele
    De Charles Swinburne

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    • lulismodesti disse:

      Érika,

      Adorei teu ponto de vista!
      É sempre bom ver outros lados da história, outros pontos de vista por parte de quem pratica BSDM.
      Até para se ter uma noção do que vocês acharam em relação à reconstrução do sado no livro.

      Vou procurar os livros citados! Adoro indicações! hahaha

      Obrigada por comentar!! 😀

      Bjs!

      Curtir

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